quarta-feira, 14 de abril de 2010

TEXTOS EXTRAIDOS DA REVISTA O BERRO SOBRE A RAÇA ANGLO NUBIANA

Esta revista traz uma edição especial sobre a raça Anglo-Nubiana.

An= ANGLO NUBIANA

61 - Sendo a maior raça do país, os criadores AN não deveria enfocar seu marketing na “base” que é a produção de carne, leite e pele - ao invés de no mercado seletivo?

R - Obviamente esta seria a posição correta, se houvesse uma política do Governo Federal, deixando claro que a carne teria mercado garantido. Mas não há essa política. Então os criadores fazem o que podem e, para eles, é mais fácil ir evoluindo gradualmente, com animais cada vez melhores, disputando prêmios. Ao mesmo tempo, vão permitindo o melhoramento de milhares de produtores de carne. É um processo lento, até o Governo enxergar a atividade como importante para geração de renda e de empregos.


62 - A participação em cruzamentos para produção de carne em escala industrial é um objetivo da raça? Ou ainda é muito cedo para pensar nisso?

R - Não é objetivo da raça, pois não há Associação pensando em termos de mercado, ainda. A atual Associação é muito nova e está tentando reunir se­lecio­nadores, em primeira instância. Mais tarde irá pensar no mercado de produção. Num primeiro momento, ao redor da mesa da Associação, somente estarão selecio­nadores e não produtores de carne. Então, as orientações serão para o mercado seletivo. Nada impede, todavia, que algumas orientações cheguem ao mercado produtor. No futuro haverá Associação apenas para produção


63 - Um dia, se o mer­cado de ex­positores for atro­pelado, também o mercado-base (carne, leite e pele) não sofrerá um duro baque?

R - Não. Os grandes produtores de carne: Estados Unidos, Austrália, Nova Zelândia, vivem realidades diferentes. Nestes países, há milhares de produtores integrados com o Governo. Há Câmaras de Produtores de Carne, há Câmaras de Exportadores de Carne e outras entidades somente para os que vivem da atividade. O setor expositivo existe e é importante, mas é francamente minoritário, pois gera menos empregos e renda.





64 - Quais são os melhores cruzamentos com AN, no momento?

R - Os principais são com o Boer (for­man­do a raça Caraíba) e com a Mam­brina (formando a raça Jacuípe). Cabras sertanejas são cruzadas com AN for­man­do as raças Colônia e Tropicana, mas sem qualquer especificidade - sendo apontadas como SRD (Sem Raça Definida), embora tenham alto valor genético para o mercado brasileiro. As SRDs são matérias-primas para muitas diversificações genéticas do futuro.


65 - Pode-se afirmar que o AN é bom em termos de habilidade materna?

R - Como em todas as raças, há li­nhagens que se destacam em alguma direção. No AN há linhagens especiais pa­ra musculosi­­da­de, altura, comprimento, aprumos, aptidão leiteira, habilidade materna, etc. Cabe ao se­lecio­nador unir o que precisa para formar um AN integral, se possível. A rigor, qualquer AN tem um pouco de cada habilidade, podendo ter muito de algumas.


66 - O AN pode ser a raça-mãe nos cruzamentos com outras raças ca­pri­nas, principalmente a Boer?

R - Dependendo da região e da situação, sim, mas também pode ser o in­­verso. Como se trata de duas raças ex­­ponenciais, bem selecionadas, o mais provável é que a união de ambas venha a consolidar a raça Caraíba. Essa, sim, poderá ser a disseminadora de virtudes para a maioria dos rebanhos de carne. O AN pode gerar dezenas de ecótipos bem sucedidos, pois tem as virtudes para isso.


67 - O leite é essencial na linha materna, nos cruzamentos. O AN dará con­ta do recado, no caso de vir a ser utilizado em larga escala?

R - O leite, em cruzamentos de carne, precisa ser suficiente para garantir um bom desmame. Só isso. O AN é es­timado, em todo Brasil, justamente por garantir lucro, o que significa boa taxa de desmame. Então, ele pode dar conta do recado, quando vier a ser utilizado em larga escala.


68 - Para ser a raça-mãe nos cruzamentos de corte, o Nubiano deveria partir, imediatamente, para a seleção de leite? Ou é possível fazer produção de carne, de forma racional, sem leite?

R - Não pode haver cruzamentos para carne sem uma boa taxa de desmame. O desmame lucrativo exige o leite materno. Então, o AN leiteiro tem um pa­pel a cumprir no cenário. Talvez o principal deles seja formar linhagens de dupla aptidão, com evidente e comprovada produção leiteira.


69 - Haverá uma diversificação na pecuária do AN de corte e o de leite do Brasil, como já acontece em várias raças de gado?

R - Sim, essa diversificação é benéfica. É preciso diferenciar, aqui, o papel do selecionador e do produtor. Não existe uma raça boa de carne e de leite, ao mesmo tempo; existem linhagens que são selecionadas mais para carne ou mais para leite. O mercado de produtores quer o animal que tenha 50% de aptidão para carne e 50% para leite. Isso quer dizer que o selecionador terá que optar, ora para carne (100%) ou para leite (100%).

No campo, os fazendeiros querem o AN grande, alto, musculoso, cu­jas fêmeas produzam leite para as crias. Eles não querem animais que exijam ordenha, pois isso dificulta o manejo na produção de carne. É assim na pecuária de gado e não será diferente na capri­no­cultura de corte. O AN tem linhagens pa­ra leite e linhagens para carne. Quem junta as duas não é o selecionador, é o criador.


70 - Que raças poderiam ser importadas para cruzamento com o AN do Brasil, gerando ecótipos para várias regiões?

R - Existem muitas raças no mundo que poderiam ser cruzadas com o AN. É preciso analisar cada região e ca­da situação, para escolher as raças acertadamente. Isso é tarefa relativamente fácil para quem estuda as raças no mundo. Há literatura suficiente para isso.








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